quarta-feira, 28 de março de 2007

Ryuko-no-Maki

Se o inimigo vem contra mim eu o recebo, se ele se afasta eu o deixo ir.

Frente a frente com o meu opositor entro em harmonia com ele.

Cinco mais cinco são dez, dois mais oito são dez e um mais nove também são dez.


Aikido

sábado, 3 de março de 2007

Perseguição

Maus não são os que parecem ser, os que apenas parecem ser. E o que tu chamas de asperezas, adversidades, abominações, são coisas até proveitosas às pessoas que as têm de suportar, e mesmo a todos os homens, pelos quais velam os deuses, os sofrimentos, injustamente impostos, acabam tornando-se merecimento para os que os recebem e castigo para os que se livram deles a qualquer preço.

Em geral, as perseguições atingem os bons, exatamente porque são bons. Não chores sobre o sofrimento dos bons, para que não se tenha a idéia de que eles são desventurados. Não te espantes, se te digo que ser esmagado pela perseguição não é, geralmente, uma desgraça para o homem, mas antes uma felicidade e uma honra.

"Mas será proveitoso - perguntas - ser lançado ao exílio, reduzido à indigência, ter de enterrar a esposa e os filhos, ser vilipendiado pela ignomínia e mutilado pela tortura?" Se te parece estranho que isso seja proveitoso, também te há de parecer estranho que alguns sejam curados com ferro e fogo, como pela fome ou pela sede. Mas se considerares que a alguns, por remédio heróico, lhes quebram e arrancam os ossos, lhes extraem veias e amputam determinados membros, que não poderiam ficar unidos ao resto do corpo sem prejudicá-lo, também hás de reconhecer, forçosamente, que certos males beneficiam aos que os suportam.
Da mesma forma certas vantagens, certos prazeres, certas recompensas e honrarias aviltam e desfiguram aos que delas se beneficiam. Entre muitas e magníficas sentenças de nosso Demétrio, há uma de que sempre me lembro, e que diz que nada parece mais infeliz do que o homem que nunca sofreu contrariedades, pois, assim, nunca foi provado. Os deuses o desprezam, não lhe dando oportunidade de construir sua fortaleza de ânimo e vencer as injustiças.

É próprio dos poucos dignos não sofrer perseguições, pois estão sempre de acordo com os poderosos, como se dissessem: - "Para que vou me opor a um adversário temível? Sobre estes, o opressor nem precisará descer sua mão pesada. Acovardam-se com um simples olhar. O próprio opressor os despreza, e respeita mais aqueles que o enfrentam com valor, mesmo quando são esmagados. O próprio opressor gosta de medir suas forças com quem também tem força, e tem vergonha de lutar contra um homem resignado à derrota e à submissão. O gladiador considera uma ignomínia combater com um inferior e sabe que o vencido sem perigo é um vencido sem glória.


Assim também procede a fortuna: busca os mais fortes, os que não têm medo, os mais tenazes. Prova a Múcio com o fogo, o Fabrício com a pobreza, a Rutilo com desterro, a Régulo com a tortura, a Sócrates com o veneno, a Catão com a morte. Só na adversidade se encontram as grandes lições de heroísmo. Será que Múcio foi um infeliz ao segurar na mão direita a tocha acesa e ao infligir-se a si mesmo o castigo de seu erro, pondo em fuga com a mão queimada o rei que não pudera afugentar com a mão armada? Teria alcançado gloria maior se estivesse acalentando a mão no seio de uma amiga? E Fabrício, ao lavrar seu pequeno campo, nas horas de folga do exercício do governo, no qual fazia a guerra tanto a Pirro como às riquezas, e porque, à luz da lamparina de sua casa modesta, não come outra coisa senão as raízes e as ervas que plantou e colheu com suas próprias mãos?


E Rutilo, será um infeliz por ter sofrido uma condenação da qual os juizes que o condenaram se envergonharão através dos tempos, e por ela responderão ao longo dos séculos? O que o honra, exatamente, é a grandeza com que se portou diante dos juizes perversos, e preferiu perder o direito de viver na própria pátria, negando-se sempre a negociar sua consciência com Sila, o ditador, a quem respondeu viajando ainda mais longe de Roma, quando o tirano o convidava a voltar. Sua resposta altiva ao ditador era que ficasse ele com os que se compraziam na submissão e contemplavam sem revolta o sangue derramado na rua e as cabeças dos senadores do povo no lado serviliano e as hordas de assassinos rondando soltos a cidade, e os milhares de cidadãos romanos degolados num mesmo lugar, depois de haverem jurado fidelidade, e até exatamente por isto. Fiquem com tudo isso - dizia o exilado - os que preferem a desonra ao desterro. E a Régulo, a quem torturaram, arrancaram a pele, encheram-lhe o corpo de feridas, obrigaram-no a não dormir - quem era superior: ele, ou os torturadores? Seu tormento foi grande, mas sua glória foi maior. Porque sofria pela causa do povo romano.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Inspiração

Amanheceu agitado. Abriu os olhos, encarou o teto branco e tentou descobrir o por quê da agitação. Percebeu que sonhara com um tema para um conto. Volta e meia acontecia algo assim. Às vezes era uma frase solta. Outras vezes pedaços de um poema, fragmentos que depois ele tentava costurar. Nem sempre conseguia. Eram presentes que a noite lhe dava. Esboços. Desta vez era uma idéia, um mote, ponto de partida para um conto. Podia aproveitar e inscrever esse conto no concurso literário sobre o qual lera na véspera. Era preciso primeiro desenvolver o tema. Parir o conto. Foi até o escritório, ligou o computador e começou a escrever.


Autor Desconhecido

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Quatro Homens

Existe uma história sobre quatro homens chamados: Todos, Alguém, Qualquer Um e Ninguém. Havia uma tarefa importante a ser realizada e foi pedido a Todos que a fizesse. Todos estava certo que Alguém a faria. Qualquer um poderia ter feito, mas Ninguém fez. Alguém ficou zangado por isto, porque era o trabalho de Qualquer um. Todos pensou que Qualquer Um poderia ter feito e Ninguém compreendeu que Todos não a faria. Terminou que Todos culpou Alguém quando realmente Ninguém fez o que Qualquer um poderia ter feito.


Autor Desconhecido

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Revolução

Durante nossa vida aprendemos a valorizar coisas que não são fundamentais.

Materialismo, modismo, poder, status e coisas desse tipo são o que importam nessa sociedade.

Por isso queremos convocá-lo para uma revolução.

Vamos renovar a espécie humana.

Vamos investir na alma.

Resgatar não só a natureza, mas o natural.

Vamos vender mais "o faz".

Não filtrar as emoções. Perder a inveja. Contabilizar as boas relações.

Reciclar as relações ruins. Reatar as velhas amizades.

Equipe o prazer. Trabalhe a perseverança. Vença o cansaço.

Faça a diferença sem precisar de propaganda.

Resolva tudo sem alarde.

Use o marketing da sinceridade.

Cobre o profissionalismo de todos, inclusive daqueles que você elegeu.

Vamos maximizar a energia.

Preservar os recursos. Tratar a água, pois ela é nossa fonte de vida.

E como o ar também é meio de vida: Vamos ser transparentes.

Renove o estoque de sorrisos. Canalize os bons pensamentos.

Use o marketing do amor.

Abrace mais. Beije seus amores. Relembre o quanto os ama.

E com a mesma força.

Diga não ao racismo, a intolerância e a discriminação.

Seja saudável, inclusive nas atitudes.

Dê bons exemplos. Diga a verdade, principalmente as crianças para que elas cresçam sabendo acreditar.

Crie seus filhos como cidadãos do mundo.

Cultive Deus.

E viva na razão da emoção; lutando pela felicidade plena e pelo futuro melhor.

E agradeça sempre por estar nesse mundo.


Propaganda da Metal Singer

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Nem sempre PC é diversão

É vírus
É o fim do programa
É um erro fatal
O começo do drama
É o turbo Pascal
Diz que falta um login
Não me mostra onde é
E já trava no fim.

É dois, é três, é um 486
É comando ilegal
Essa merda bloqueia
É um erro e trava
É um disco mordido
HD estragado
Ai meu Deus tô fudido.

São as barras de espaço
Exibindo um borrão
É a promessa de vídeo
Escondendo um trojan
É o computador
Me fazendo de otário
Não compila o programa
Salva só o comentário.

É ping, é pong
O meu micro me chuta
O scan não retira
O vírus filho da puta
Windows não entra
E nem volta pro DOS
Não funciona o reset
Me detona a voz.

É abort, é retray
Disco mal formatado
PCTools não resolve
Norton trava o teclado
É impressora sem tinta
Engolindo o papel
Meu trabalho de dias
Foi cuspido pro céu.
Autor Desconhecido

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Amor

Ela: Você me ama mais do que tudo?
Ele:
Amo.
Ela:
Paixão, paixão?
Ele:
Paixão, paixão mesmo.
Ela:
Mais do que tudo no mundo todo?
Ele:
No mundo todo e fora dele.
Ela:
Não acredito.
Ele:
Faz um teste.
Ela:
Eu ou fios de ovos.
Ele:
Você, fácil.
Ela:
Daqueles com calda grossa, que a gente chupa o fio e a calda escorre pelo queixo.
Ele:
Prefiro você.
Ela:
Futebol.
Ele:
Não tem comparação.
Ela:
Você esta caminhando, vem uma bola quicando, a garotada grita "Devolve tio!" e você domina, faz dezessete embaixadas e chuta com perfeição.
Ele:
Prefiro você.
Ela:
Internacional e Milan em Tóquio pelo campeonato do mundo, passagem
e entrada de graça.
Ele:
Você vai junto?
Ela:
Não.
Ele:
Pela televisão se vê melhor.
Ela:
Faz muito calor. Aí chove, aí abre o sol, aí vem uma brisa fresca com aquele cheiro de terra molhada, aí toca uma musica no rádio e é uma nova do Paulinho. É Sexta-feira e a televisão anunciou um Hitchcock sem dublagem para aquela noite... e o Itamar está dando certo.
Ele:
Você.
Ela: Voltar a infância só pra poder pisar na lama com o pé descalço e sentir a lama fazer squish entre os dedos.
Ele:
Você, longe.
Ela:
A Sharon Stone telefona e diz que é ela ou eu.
Ele:
Que dúvida. Você.
Ela:
Cheiro de livro novo. Solo de sax alto. Criança distraída. Canetinha japonesa. Bateria de escola de samba. Lençol recém-lavado. Hora no dentista cancelada. Filme com escadaria curva. Letra do Aldir Blanc. Pastel de rodoviária.
Ele:
Você, você, você, você, você, você, você, você, você e
você, respectivamente.
Ela:
A Sharon Stone telefona novamente e diz que se você se livrar de mim ela já vem sem calcinha.
Ele:
Desligo o telefone.
Ela:
Fama e fortuna. A explicação do universo e do mercado de commodities, com exclusividade. A vida eterna e um cartão de credito que nunca expira.
Ele:
Prefiro você.
Ela:
Uma cerveja geladinha. A garrafa chega estalando. No copo, fica com um quarto de espuma firme. O resto é ela, só ela, dizendo "Vem".
Ele:
Hummm...
Ela:
Como, hummm? Ela ou eu?

.... Silêncio de 5 segundos ...

Ele: Qual é a marca?
Ela: Seu cretino!


Luis Fernando Veríssimo