terça-feira, 7 de abril de 2009

Presságio

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Reticências

...e é difícil mesmo os pontos finais, consigo as pausas, outros sinais. E nem sei por que isso, se nunca realmente me apropriei; talvez seja o motivo, a indefinição. E planejo rituais como marcos de mudança, de rompimento. Tem um poema de Fernando Pessoa recortado do jornal de terça que fala do que poderia ter sido, desse quase tão bonito, esse pensamento passageiro e risonho. E tem também uma música, um canto de despedida sem mágoas, como um hino à liberdade, mas eu não consegui ainda realizá-los, compartilhá-los, justamente porque não tenho certeza se a hora é essa, se é fim, se acabou, mesmo com todas as provas à vista, todas as provas à mão. E não gosto de voltar atrás. Eu nunca acreditei que fosse possível não reconhecer e aceitar verdades tão cruas. Deve ser porque também é meio dolorido, e isto sempre nos foi mostrado como algo a ser evitado. É mesmo só contradição. Mas como ainda sou eu quem escrevo essa história, qualquer hora dessas eu termino tudo e ponto

Ana Aitak

domingo, 5 de abril de 2009

Eis o Tempo de Conversão

Domingo de manhã...

Dificilmente eu previa acordar cedo. O sábado foi, digamos, muito "leviano". Mesmo sem querer. As apostas...

A partir de hoje não faço mais apostas. Não essas sem nenhum sentido.

Acordei cedo para ir a igreja, uma coisa que estou voltando a fazer (ir a igreja, não acordar cedo). Foi necessário. Redescobri uma das coisas que sempre me motivaram na infância e eu acabei perdendo. Uma boa missa. Para ser sincero, inesperada...

Parecia que eu estava tendo uma conversa particular com o padre. Na hora relembrei dos meus valores de infância e da importancia deles.

"Eis o tempo de conversão". Parece pouco, mas essa frase está completa. Agora é a minha hora!!! O momento certo, na hora certa.

A grande ironia? Isso tudo aconteceu enquanto eu estava de ressaca. Mas essa foi a minha última. Agora tenho outros objetivos, que me foram mostrados hoje, em minha "conversa particular".

Peço desculpas a todos por ontem. Não acontecerá novamente.

Agora preciso dormir, na certeza dos meus novos objetivos. Ainda mudarei um pouco, tenho certeza, mas estou chegando próximo do que espero.

EIS O TEMPO DE CONVERSÃO...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Se Eu Fosse um Padre

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no pecado
- muito menos no
Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema - ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre leva a Deus!

Mário Quintana

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Longe do Meu Lado

(Renato Russo)

Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado

A paixão já passou em minha vida
Foi até bom mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado

E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique ao meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado.

A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido
Feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor
Não quero mais

Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado

Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos
E vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo

Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado.

Mentira

A mentira é o fruto do medo.
Do medo que temos,
Acima de tudo o resto,
De Nós próprios.
De nos confrontarmos com a Verdade,
Com a transparência,
Com o rigor e a atitude, no Ser e no Estar.
A mentira é oportuna e dá jeito.
É oportuna porque salvaguarda-nos em qualquer situação
(mesmo as mais mirabolantes).
Dá jeito porque aligeira soluções e resolve de imediato
incertezas, dúvidas e até crises existenciais.
Há mentiras piedosas.
São inócuas.
Não prejudicam, nem lesam.
Mantém o "verde" no Jardim.
Outras mentiras são atrozes e cruéis.
Pior:
Há vidas de mentira permanente,
Vestidas de um faz-de-conta dos Contos de Fadas, onde
o Jardim se reveste de mil cores e mil flores.
Todas de plástico.

Autor Desconhecido

O Fim de uma Velha História

Disse que seria eterno esse amor
E obstáculos enfrentaríamos
Disse que irias onde eu for
Que juntos, pela vida, lutaríamos

Por que mentiu?
Se não era isso que queria
Pra quê me iludiu?
Se mais tarde acabaria
Por que me enganou?
Só para ver que podia
Pra quê fingiu que amou?
Eu acreditei que seria

Fui cego, tão tolo
Pra cair de novo no teu jogo
Acreditar no brilho do teu olhar
Brilho no olhar da cobra antes de picar

Ao menos em parte foi bom
Aprendi mais uma lição que a vida me deu
De não chorar porque um dia acabou
Mas sorrir porque um dia aconteceu

Lorenzo